Investimentos e Finanças por uma Economia Verde e Inclusiva

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Nenhuma empresa tem valor efetivo se seus negócios não tiverem perenidade, se ela não apresentar perspectiva de futuro. Hoje, ao decidir para onde o investimento se destinará, o investidor não olha apenas para os possíveis rendimentos de uma empresa, mas também para a viabilidade no seu negócio em um cenário socioambiental crítico.

As empresas que se preocupam em gerar impactos positivos à sociedade e ao meio ambiente ganham destaque nesse cenário não apenas por fazer isso – mas pelos efeitos práticos que essa preocupação gera para o seu negócio, como melhoria em suas operações, produtos e serviços. Ou seja, a sustentabilidade não se resume apenas à responsabilidade socioambiental – ela dialoga diretamente com o aperfeiçoamento dos negócios, olhando para o futuro da empresa.

Por isso, uma importante frente de trabalho para a sustentabilidade é a viabilização de projetos, operações, produtos e serviços que estejam alinhados com princípios básicos de responsabilidade socioambiental, a partir da conscientização e informação de investidores e da facilitação de aportes financeiros e linhas de crédito público e privado para empreendedores. Esta frente vem sendo desbravada pelo GVces desde o começo da sua existência e, em 2015, ela representou uma importante área de atuação para o Centro.


SUSTENTABILIDADE EMPRESARIAL

“O ISE é um dos poucos espaços que conseguem articular um instrumento que define referencial para a sustentabilidade das empresas, ao mesmo tempo em que, dentro dessas empresas, vincula o seu negócio a valores da sustentabilidade.”
André Degenszajn, secretário-geral do Grupo de Institutos Fundações e Empresas (GIFE), durante o Fórum ISE 10 Anos (outubro/2015)

Nos últimos dez anos, a agenda da sustentabilidade dentro das empresas avançou consideravelmente, em especial graças a uma iniciativa pioneira da BM&FBOVESPA, com apoio técnico do GVces: o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). Desde sua criação, em 2005, o ISE tem como proposta ser uma referência para análise comparativa da performance das empresas listadas na Bolsa sob o aspecto da sustentabilidade corporativa, baseada em eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa, com o objetivo de criar um ambiente de investimento compatível com as demandas de desenvolvimento sustentável da sociedade brasileira contemporânea e de estimular a responsabilidade ética das empresas.

Nesta primeira década de ISE, o engajamento das empresas e da sociedade civil em geral no processo de construção e revisão do questionário de seleção de empresas para a carteira foi fundamental para a consolidação do Índice como referência nacional sobre sustentabilidade nas empresas. Assim, mais uma vez, em 2015 a equipe do GVces conduziu um processo de revisão do questionário, com a participação ativa de representantes de empresas, especialistas e de outros stakeholders relevantes para a sustentabilidade corporativa.

GVces e empresas reunidos no Workshop de revisão do questionário do ISE BM&FBOVESPA (foto: Milene Fukuda/GVces)

GVces e empresas reunidos no Workshop de revisão do questionário do ISE BM&FBOVESPA (foto: Milene Fukuda/GVces)

O questionário 2015 foi resultado de um amplo processo de revisão, iniciado em 2014,  e que contou com mais de 580 contribuições de empresas e outros interessados. Estas contribuições foram recebidas, analisadas e sistematizadas pela equipe do GVces, com validação pelo Conselho Deliberativo do ISE (CISE).

A 11ª carteira do ISE foi apresentada no final de 2015, vigorando entre janeiro e dezembro de 2016. Esta carteira reúne 38 ações de 34 companhias, que representam 16 setores econômicos e somam R$ 960,52 bilhões em valor de mercado, o equivalente a 54,5% do total do valor das companhias com ações negociadas na BM&FBOVESPA (valores de 24/11/2015). Um destaque da nova carteira é o expressivo aumento da transparência por parte das empresas em suas respostas ao questionário. A porcentagem de empresas que autorizaram a abertura das respostas saltou de 85% para 94%.

Em dez anos de ISE, a sua rentabilidade foi de +128,88%, muito acima do próprio Ibovespa (+51,28%). No mesmo período, o ISE teve menor volatilidade: 25,57% em relação a 42,81% do Ibovespa.

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Logo comemorativo dos 10 anos do ISE BM&FBOVESPA

Para marcar o sucesso do Índice em sua primeira década, a BM&FBOVESPA e o GVces produziram um pacote comemorativo de produtos inovadores e instigantes para compartilhar com o público em geral os importantes avanços obtidos desde a implementação do Índice e discutir as perspectivas para os próximos dez anos.

Primeiro, a Wiki Linha do Tempo ISE 10 Anos, um agrupamento dos principais marcos relacionados ao ISE em sua primeira década de existência. Seu intento é narrar a evolução do Índice no tempo e contextualizar seus avanços com os principais fatos e eventos em matéria de sustentabilidade no Brasil e no mundo.

O segundo produto da comemoração de dez anos é o Mundo ISE, que traz uma proposta inovadora e criativa de disseminar a agenda da sustentabilidade empresarial por meio de ilustrações bem-humoradas de diferentes temas, atores e desafios. A partir de charges que representam o mundo da sustentabilidade presente no questionário do ISE, os usuários podem acessar informações sobre esses temas e fazer correlações, sendo gradualmente conduzidos até as perguntas do próprio questionário de seleção do Índice, caso desejem se aprofundar no assunto.

“A criação do Mundo ISE é uma resposta ao desafio comunicativo enfrentado pela sustentabilidade, ainda vista por muitos como um tema árido e restritivo, que joga com as culpas e obrigações das pessoas e empresas, se apoiando em considerações racionais e imperativos morais. Ao apresentar nossa agenda por meio de ilustrações bem-humoradas e retratando um mundo em que todos gostariam de viver, rompemos com essa lógica e tocamos as pessoas pelo lado do envolvimento e do bem-estar. Por esse caminho, contornamos também a fragmentação temática e conceitual, trazendo a percepção da sustentabilidade a partir do cotidiano de cada um, e não como um exercício meramente analítico.” 
Aron Belinky, coordenador-executivo do ISE e programa Desempenho e Transparência do GVces

Por fim, o terceiro produto é a Plataforma de Indicadores do ISE, um ambiente virtual para divulgação de informações sobre o desempenho das empresas que participaram do processo seletivo do ISE desde o seu lançamento. A apresentação dos dados se dá a partir da geração de gráficos dinâmicos e análises com base nos critérios do questionário, indicadores e temas. Além disso, de maneira sigilosa e individual, a Plataforma também permite que todas as empresas que participaram pelo menos uma vez do processo ISE possam acessar dados referentes ao seu próprio desempenho.

Fórum ISE 10 Anos, realizado pela BM&FBOVESPA e pelo GVces para celebrar a primeira década de atividades do Índice (foto: Yantra/GVces)

Fórum ISE 10 Anos, realizado pela BM&FBOVESPA e pelo GVces para celebrar a primeira década de atividades do Índice (foto: Yantra/GVces)

Esses produtos foram destacados durante o Fórum ISE 10 Anos, evento realizado pela BM&FBOVESPA e pelo GVces para celebrar a primeira década do ISE e reunir representantes de empresas, investidores, instituições financeiras, governo e sociedade civil, em outubro de 2015. Durante um dia inteiro, mais de 200 participantes puderam discutir e refletir conjuntamente sobre os aprendizados do Índice e as perspectivas futuras da sustentabilidade nas empresas brasileiras.

selosustenta2015Fora da parceria com a BM&FBOVESPA, outra iniciativa do GVces que avalia o desempenho corporativo em sustentabilidade é o Guia Exame de Sustentabilidade, publicado pela Editora Abril. Desde 2007, o GVces é responsável pela metodologia de análise e seleção das empresas. Este processo tem como objetivo destacar as organizações pelo conjunto de suas práticas em todas as dimensões da sustentabilidade empresarial.

Essa metodologia compreende um levantamento sobre compromissos, transparência e governança corporativa, com foco no desempenho da empresa sob aspectos econômico-financeiros, sociais e ambientais. Em 2015, 210 empresas participaram do processo de seleção. A 16ª edição do Guia, publicada no final do ano, trouxe as 68 empresas mais sustentáveis do país, separando as 21 melhores por setor e os destaques em dez categorias – Governança da Sustentabilidade, Direitos Humanos, Mudanças Climáticas, Relação com a Comunidade, Relação com Clientes, Gestão de Fornecedores, Gestão Hídrica, Gestão de Biodiversidade, Gestão de Resíduos, e Ética e Transparência.

Em adição a essas iniciativas já consolidadas do GVces no tema da sustentabilidade empresarial, o Centro também iniciou um amplo estudo para mensurar o retorno econômico-financeiro de projetos de sustentabilidade em empresas – o ROI Sustentabilidade (Return on Investment).

Elaborado em parceria com a Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ, sigla em alemão) no âmbito do programa Emerging Market Multinationals Network (EMM), esta iniciativa pretende auxiliar as empresas participantes a:

  • Identificar e simular o retorno de determinados aspectos da sustentabilidade, ao mesmo tempo em que cria um ambiente propício à troca de aprendizados e experiências entre as empresas;
  • Criar um ambiente de diálogo sobre o tema de finanças e sustentabilidade, contribuindo para a integração e o engajamento de diferentes departamentos das empresas participantes;
  • Oferecer elementos para que os tomadores de decisão em finanças possam mensurar os retornos dos projetos e/ou ações de sustentabilidade, implementadas ou potenciais; e
  • Contribuir com as demais iniciativas da rede EMM para transformar desafios de sustentabilidade em soluções de negócio bem-sucedidas.

Os resultados do estudo evidenciam que iniciativas de sustentabilidade vão muito além do plano ético: elas trazem, de fato, ganhos tangíveis financeiros para as empresas e podem representar um diferencial competitivo. O estudo será publicado pelo GVces em 2016.


SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E ECONOMIA VERDE

“O sistema financeiro é central para atingir os objetivos de desenvolvimento sustentável, incluindo a nossa capacidade de responder a desafios como a erradicação da pobreza e a mudança climática. O Brasil é um dos líderes na introdução de inovações políticas que melhor alinham finanças com sustentabilidade. Esta iniciativa está crescendo em todo o mundo e, agora, temos a oportunidade de aprofundar a cooperação internacional para construir um sistema financeiro sustentável.”
Achim Steiner, diretor-executivo do PNUMA, durante seminário internacional promovido pela FEBRABAN “Sistema Financeiro, Economia Verde e Mudanças Climáticas” (setembro/2015)

isp-avulso-relatorio2015De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a economia verde representa uma economia com melhoria do bem-estar da humanidade e equidade social, ao mesmo tempo em que reduz significativamente riscos ambientais e escassez ecológica. Ela representa uma economia de baixa emissão de carbono, com uso eficiente dos recursos e inclusão social.

Para que tal economia se viabilize, é fundamental que existam fluxos de recursos financeiros para apoiar a implementação de projetos voltados para inovação, baixo carbono e inclusão social. No início de 2014, o PNUMA lançou a Inquiry on the Design of a Sustainable Financial System, uma pesquisa global sobre fatores, políticas públicas e inovações capazes de acelerar e ampliar a destinação de recursos financeiros para iniciativas que propiciem uma transição mais rápida rumo a uma economia verde e inclusiva.

Essa pesquisa envolveu estudos para conhecer a realidade de um grupo de países, para identificar restrições e oportunidades e para colher opiniões e sugestões. No Brasil, a Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) se uniu ao GVces para elaborar estudos sobre a realidade nacional no contexto da iniciativa do PNUMA.

Em abril de 2015, foi publicado o relatório O Sistema Financeiro Nacional e a Economia Verde: Alinhamento ao desenvolvimento sustentável, com o objetivo de identificar, no cenário brasileiro, aspectos relevantes para o financiamento da economia verde no país.

Este relatório, desenvolvido ao longo de 2014, foi complementado no ano passado por outro estudo, O Sistema Financeiro Nacional e a Economia Verde: Mensurando Recursos Financeiros Alocados na Economia Verde. A partir do levantamento realizado pelo primeiro estudo, este segundo relatório teve como objetivo ampliar e fortalecer a metodologia proposta anteriormente para identificação dos recursos do Sistema Financeiro Nacional para a Economia Verde, de acordo com a definição do PNUMA. O escopo de análise foi expandido, incluindo os montantes alocados em setores potencialmente causadores de impacto ambiental – setores com potenciais impactos positivos e/ou negativos nos quais, em ambos os casos, a gestão de risco socioambiental é fundamental para minimizar consequências negativas ou potencializar consequências positivas.

Murilo Portugal, presidente da FEBRABAN, durante o seminário internacional (foto: Divulgação Febraban)

Murilo Portugal, presidente da FEBRABAN, durante o seminário internacional (foto: Divulgação FEBRABAN)

Os resultados preliminares deste estudo foram apresentados no seminário internacional “Sistema Financeiro, Economia Verde e Mudanças Climáticas”, promovido pela FEBRABAN em setembro de 2015, e que contou com a participação de Achim Steiner, ex-diretor-executivo do PNUMA e com os então ministros Joaquim Levy (Fazenda) e Izabella Teixeira (Meio Ambiente).

Além deste segundo relatório, o GVces e a FEBRABAN também publicaram outros dois estudos. O primeiro, Green Bonds, visa contribuir para a discussão sobre oportunidades e limites para o desenvolvimento de um mercado de títulos verdes (green bonds) no Brasil, a exemplo da experiência internacional. Além de recomendações estruturais para o mercado brasileiro de capitais, o estudo faz uma série de recomendações específicas para alavancar esses títulos verdes no país.

Já o segundo estudo, Cotas de Reserva Ambiental (CRA), explora as possibilidades de que, no contexto do Novo Código Florestal, as CRA possam se configurar como valores mobiliários ofertados publicamente, atraindo o interesse de investidores que não estejam diretamente ou operacionalmente interessados em compensar déficit em Reserva Legal.


SERVIÇOS ECOSSISTÊMICOS E CAPITAL NATURAL

“A Cooperação Alemã para Desenvolvimento Sustentável – GIZ no Brasil entende a aproximação e realização de atividades conjuntas com o Centro de Estudos em Sustentabilidade – GVces no âmbito do projeto TEEB Regional Local e das Iniciativas TeSE e Finanças Sustentáveis uma parceria de extrema relevância para o alcance dos objetivos do Projeto TEEB. A oportunidade de desenvolvimento de métodos e ferramentas relativas ao tema Serviços Ecossistêmicos e Negócios em conjunto com empresas e equipes de experts permite resultados que atendem à demanda do público empresarial em uma linguagem acessível para este. Caminhamos para o terceiro ano da parceria que acreditamos ser ainda mais promissora.”
Luciana Alves, do TEEB Regional-Local no Brasil, sobre a TeSE

Um ponto crucial para que as empresas possam atuar como agentes efetivos em prol do desenvolvimento sustentável é a sua capacidade de incorporar variáveis de sustentabilidade nas decisões estratégicas para o seu negócio. Uma dessas variáveis é a do capital natural – ou seja, o estoque de recursos naturais existentes que gera fluxo de serviços úteis aos seres humanos. Por sua vez, esses fluxos de serviços, chamados de serviços ecossistêmicos, são as contribuições diretas e indiretas dos ecossistemas à economia e ao bem-estar da humanidade.

Boa parte dos principais desafios ambientais da atualidade está relacionada a problemas na manutenção dos ecossistemas, que podem levar, por exemplo, a redução da provisão de água para consumo, ao incremento do efeito estufa e a redução da biodiversidade. Nesse cenário crítico, é importante que as atividades econômicas levem em conta o valor desses serviços, dos quais se beneficiam e sobre os quais muitas vezes exercem impactos intensos.

TeSE_Regular (1)No esforço de valorar os serviços ecossistêmicos, um desafio chave para o seu sucesso é a definição da métrica que mensura o valor econômico e não-econômico de tal serviço. Ao contrário das emissões de gases de efeito estufa, os serviços ecossistêmicos não podem ser contabilizados de maneira uniforme. É neste ponto que a iniciativa Tendências em Serviços Ecossistêmicos (TeSE) procura auxiliar, desenvolvendo ferramentas e metodologias que facilitam a mensuração e a valoração desses serviços.

Em 2015, a TeSE realizou seu 3º ciclo de atividades e continuou seus esforços para aperfeiçoamento das Diretrizes Empresariais para a Valoração Econômica de Serviços Ecossistêmicos (DEVESE) e para Relato de Externalidades Ambientais (DEREA). O projeto aconteceu novamente em parceria com o TEEB Regional-Local: Conservação da Biodiversidade Através da Integração de Serviços Ecossistêmicos em Políticas Públicas e na Atuação Empresarial (iniciativa do governo federal com a Confederação Nacional da Indústria/CNI no contexto da Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável).

(foto: Milene Fukuda/GVces)

Serviços ecossistêmicos culturais foram um dos itens centrais da agenda de trabalho da TeSE em 2015 (foto: Milene Fukuda/GVces)

Em evento especial realizado na FGV no mês de maio, a TeSE apresentou a versão 2.0 da DEVESE – que aborda oito serviços ecossistêmicos: provisão de água, provisão de biomassa combustível, regulação da qualidade da água, regulação da assimilação de efluentes líquidos, regulação do clima global, regulação de polinização, regulação da erosão do solo e recreação e turismo – e a primeira versão da DEREA. Também destacou as dez empresas que realizaram projetos piloto com a primeira versão da DEVESE para testar a aplicabilidade das diretrizes.

Um ponto especial na agenda de trabalho da TeSE em 2015 foi o foco em outros tipos de serviços ecossistêmicos, como os culturais e os de provisão. Para tanto, a equipe do GVces promoveu encontros de grupo de trabalho para avançar na co-construção de procedimentos metodológicos e diretrizes para valoração econômica de serviços de provisão (como, por exemplo, matéria-prima) e para valoração não-econômica de serviços ecossistêmicos culturais (como, por exemplo, identidade cultural e beleza cênica).

“A participação no Grupo de Trabalho de Serviços Ecossistêmicos Culturais em 2015 foi uma experiência nova, interessante e rica. Pude conhecer o conceito de Serviços Ecossistêmicos, e participar da construção de um novo método de valoração não econômica ainda a ser explorado e validado através de projetos pilotos. É uma oportunidade maravilhosa para uma empresa estar inserida neste momento da discussão, quando da formulação metodológica, e, tanto se antecipar às novas demandas do mercado na busca por uma maior conformidade socioambiental, quanto compartilhar dúvidas, anseios, conhecimentos, sobretudo sendo este um grupo diversificado, em que cada um representa uma realidade empresarial distinta. Se tivesse que resumir em uma palavra esta experiência, a palavra seria aprendizado!”
Vanessa Croge, da COPEL, sobre o trabalho da TeSE com serviços ecossistêmicos culturais no Ciclo 2015

Outra iniciativa do GVces no tema de capital natural e serviços ecossistêmicos em 2015 foi um estudo desenvolvido com o apoio da organização de cooperação alemã GIZ. Em foco,  elementos para que tomadores de decisão do setor produtivo e financeiro possam considerar formal e explicitamente os riscos associados aos recursos naturais e serviços ecossistêmicos em processo de identificação, análise e avaliação de riscos, utilizando como subsídio a metodologia desenvolvida pela TeSE. O estudo também busca oferecer subsídios para as reflexões acerca de políticas públicas de comando e controle e incentivos econômicos no Brasil, para incorporação de recursos naturais e serviços ecossistêmicos nos processos de tomada de decisão no setor privado.

Para tanto, foram desenvolvidos três estudos de casos de empresas em diferentes segmentos – geração de energia, desenvolvimento de extratos naturais, e fabricação de louças sanitárias. Os resultados finais deste trabalho deverão ser publicados pelo GVces em 2016.


INVESTIMENTO SOCIAL PRIVADO

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(foto: Pedro Savério Penna/Flickr – Creative Commons)

Dentre as mudanças socioeconômicas vividas pelo Brasil desde os anos 1990, o investimento social é um tema que merece destaque. A redemocratização política, o fim da hiperinflação, a estabilização da moeda e o fortalecimento da sociedade civil trouxeram para governos, empresas e cidadãos a possibilidade de relacionar-se e novas formas frente às questões públicas. A responsabilidade compartilhada pelo desenvolvimento social abriu novos espaços para atuação da sociedade civil e da iniciativa privada.

Nesse contexto, ganha força o conceito de Investimento Social Privado (ISP), que pode ser definido genericamente como o uso de recursos privados para projetos de interesse público. No Brasil, a evolução do ISP resultou em diferentes abordagens do ponto de vista de gestão e de conceitos norteadores. Há casos em que o ISP é realizado diretamente pela empresa e outros em que isto se dá por meio de instituto ou fundação empresarial, com diferentes graus de integração com o negócio e de mobilização de recursos privados e públicos.

De acordo com alguns estudos, o alinhamento (ou aproximação) entre ISP e o negócio tornou-se um tema proeminente entre investidores sociais no Brasil nos últimos anos. Esse fenômeno ainda merece detalhamento teórico, mas já vem despertando uma série de debates por causa de seus potenciais efeitos sobre a sociedade civil e mesmo sobre o papel dos investidores sociais empresariais.

No ano passado, em parceria com o Instituto C&A e o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE), o GVces iniciou um estudo sobre ISP no Brasil, com o objetivo de analisar como o fenômeno do alinhamento do Investimento Social Privado ao negócio está se dando e quais implicações ele poderá trazer para a sociedade, para os investidores sociais e para as empresas. Como resultado, espera-se que este estudo ajude a construir um conjunto de recomendações para os investidores sociais empresariais.

Para tanto, a equipe do GVces conduziu em 2015 algumas etapas de estudo, como a consulta a representantes da sociedade civil, investidores sociais, academia e agentes públicos, para a apresentação do escopo e dos objetivos da pesquisa. Além disso, foi feita uma estruturação conceitual, com revisão bibliográfica sobre a história e o contextual atual do ISP no Brasil, Colômbia e Estados Unidos. Por fim, entrevistas foram realizadas com alguns desses atores sobre princípios e critérios a serem seguidos por investidores sociais no contexto do alinhamento entre investimento social e negócio.

A apresentação dos resultados finais desse estudo acontece no segundo semestre de 2016.


PARA O FUTURO: ECONOMIA VERDE E INCLUSIVA – O FUTURO É AGORA

Não há mais tempo a perder. Com a definição do Acordo de Paris, com compromissos de redução de emissões para todos os países, e dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, com metas e indicadores para mensurar e avaliar o esforço de governos e empresas nessa tarefa, as referências para a mudança já estão na mesa. Agora, resta aos atores entenderem que, se mantivermos o business as usual na economia, eles podem estar sacrificando não apenas o bem-estar das próximas gerações, mas também o seu futuro imediato.

Algumas empresas já despontam como pioneiras nessa mudança e deverão estar melhor posicionadas na nova economia, aproveitando oportunidades e aperfeiçoando o seu próprio negócio. Nesse contexto, a missão do GVces é facilitar a transição desses atores para a nova economia, alinhando-os aos princípios, valores e objetivos que fundamentam uma visão sustentável para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil.

No âmbito do ISE BM&FBOVESPA, o GVces continuará atuando no aperfeiçoamento do questionário de seleção de empresas para a carteira de ações 2016-2017 do Índice. Em sintonia com a preocupação dos stakeholders por transparência, uma novidade no processo seletivo para 2016 é a obrigatoriedade de divulgação das respostas do questionário pelas empresas ingressantes na carteira. Este ano também marca uma nova etapa na trajetória do Índice, com a apresentação dos Fundamentos e dos novos Objetivos Estratégicos do ISE para o quinquênio 2016-2020.

Por sua vez, em 2016 a TeSE continua se esforçando na disseminação e na capacitação do conceito de serviços ecossistêmicos junto às empresas brasileiras, apoiando-as também no desenvolvimento e relato de projetos de valoração de serviços. Da mesma forma que outras Iniciativas Empresariais do GVces, a TeSE também traz foco especial aos serviços ecossistêmicos associados aos recursos hídricos, de forma a apoiar a gestão empresarial desse tipo de recurso. Além disso, a equipe do GVces na TeSE também dá sequência no processo de construção de diretrizes empresariais para serviços culturais, apoiando projetos piloto para sua aplicação.

O trabalho do GVces no âmbito do projeto Inquiry do PNUMA também continuará em 2016, com foco no aprimoramento de novos mecanismos financeiros para fomento à economia verde no Brasil, no que diz respeito a restauração florestal, construção sustentável e capital natural.

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