Pequenos negócios, grandes inovações

Trabalhador na linha de produção da Atina, uma das MPEs selecionadas para o Guia de Inovação para Sustentabilidade (foto: Bruno Bernardes/Página22)

Trabalhador na linha de produção da Atina, uma das MPEs selecionadas para o Guia de Inovação para Sustentabilidade (foto: Bruno Bernardes/Página22)

Junto com a crise hídrica, a economia também foi um desafio importante para o Brasil em 2015. De acordo com o IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) do país caiu 3,8% no ano passado, a maior queda desde o início da série histórica atual, em 1996. Setores como indústria e serviços amargaram perdas respectivas de 6,2% e 2,7% em suas atividades, e as importações retraíram 14,3%. Um dos poucos dados positivos da economia em 2015 foi o de exportações de bens e serviços, que cresceram 6,1% em 2015.

Neste cenário, é de se esperar ceticismo quanto ao potencial da inovação e da sustentabilidade como propulsores para a economia, já que denotam investimentos de médio e longo prazo.

A percepção do GVces é que os atores econômicos mais flexíveis e compactos – as micros e pequenas empresas – constituem um celeiro de inovação capaz de gerar soluções para a sustentabilidade e, no contexto atual, rotas alternativas para a saída da crise.  Nessa perspectiva, o GVces tem como uma de suas principais frentes de atuação o apoio ao empreendedorismo voltado à inovação para a sustentabilidade como caminho para uma economia verde e inclusiva e um ponto de referência para dar escala a soluções efetivas para os desafios presentes – e futuros – da economia, com apoio de grandes empresas e do poder público.


Cadeia de Valor: Distribuição, Logística e Gestão de Fornecedores

“Os diferenciais competitivos são definidos cada vez mais pelas cadeias, e não pelas empresas individualmente. Por isso, é importante que as empresas passem a atuar conjuntamente, principalmente quando falamos de inovação para sustentabilidade.”
Maurício Jerozolimski, gestor do Projeto ISCV e pesquisador do GVces

Quando pensamos em inovação, muitas vezes pensamos nas grandes empresas globais, com imensa capacidade de investimento, as mentes mais capacitadas do mercado e as estratégias de negócio mais avançadas. Esta é uma impressão ilusória. Na maior parte dos casos, os produtos e serviços das grandes corporações aproveitam inovações empreendidas por empresas de menor porte. Arriscar é mais simples para as pequenas empresas do que para as grandes, com estruturas mais rígidas e modelos de negócio mais consolidados.

ISCV_Regular (1)Mas, para que as micros e pequenas empresas possam arriscar, é necessário que se tenha um ambiente de acolhimento e apoio. As grandes empresas, através das suas cadeias de valor, podem desempenhar o papel de apoio a suas parceiras de menor porte, incentivando-as no desenvolvimento de soluções inovadoras e voltadas para os desafios da sustentabilidade. Essa lógica fundamenta em grande parte o projeto Inovação e Sustentabilidade na Cadeia de Valor (ISCV), uma iniciativa empresarial do GVces que contou com a parceria do Citi e apoio da Citi Foundation até o final de 2015.

“Muitas vezes, as pequenas empresas conseguem desenvolver soluções mais sustentáveis, mas não têm a clareza do que isso significa enquanto oportunidade de negócio. Essas empresas precisam entender isso e aproveitar os aspectos de sustentabilidade contemplados em seus produtos e serviços.” 
Cristina Fedato, consultora do Projeto ISCV

No ano passado, o projeto ISCV concluiu seu quarto ano de atividades, encerrando um ciclo de planejamento de trabalho voltado para os principais elos da cadeia de valor de grandes empresas. Desde sua criação, o projeto se dedicou a questões como gestão de fornecedores (2012), resíduos e pós-consumo (2013), e desenvolvimento local (2014). No ciclo mais recente, as atividades voltaram-se aos processos de distribuição e logística das empresas.

(foto: Milene Fukuda/GVces)

Ciclo 2015 de ISCV olhou para o setor de distribuição e logística no Brasil (foto: Milene Fukuda/GVces)

Este é um setor importante da economia brasileira que sofre dificuldades estruturais e encarece nossos produtos, diminuindo a competitividade no mercado internacional. Mesmo quando comparado com nações emergentes, como a China e a Rússia, o Brasil fica muito atrás por causa dos custos associados ao transporte, armazenamento e distribuição ineficiente de nossa produção dentro do país. A defasagem brasileira em distribuição e logística não pode ser superada apenas com mais investimentos – precisamos de uma saída disruptiva, que transforme completamente este setor e que incremente decisivamente a competitividade de nossos produtos e serviços no mundo. Neste sentido, o projeto ISCV mergulhou no panorama geral da logística no Brasil e promoveu um ciclo de trabalho que buscou identificar aspectos críticos de sustentabilidade no setor, além de encontrar pequenas e médias empresas que promovem inovações que ajudam a integrar a sustentabilidade na cadeia de grandes empresas.

“Grandes empresas, mobilizadas em seu negócio principal, têm dificuldades para desmobilizar ativos e seguir para outros caminhos. Para as pequenas empresas, o custo de desmobilizar seus ativos é menor, por isso elas têm o dinamismo necessário para mudar seu negócio.”
Hudson Lima de Mendonça, da FINEP/Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI)

“A maior parte das transportadoras no Brasil é formada por pequenas empresas, que não possuem um grau elevado de profissionalização. Geralmente, são caminhoneiros que conseguem juntar recursos e comprar outras carretas, criando pequenas transportadoras, mas sem modelos elaborados de gestão e profissionalização.”
Priscila Laczynski, professora e coordenadora do Centro de Excelência em Logística e Supply Chain da FGV-EAESP (GVcelog)

Como nos anos anteriores, o ciclo 2015 de ISCV promoveu três oficinas temáticas presenciais e uma chamada de casos de pequenos e médios empreendimentos com casos de inovação e sustentabilidade em distribuição e logística no Brasil. Na chamada, 19 casos se inscreveram, sendo que 11 foram pré-selecionados para visitas de campo e conversas com a equipe do GVces. Finalmente, oito casos foram selecionados pela iniciativa para participar do ciclo 2015. As atividades de ISCV em 2015 exploraram pontos como inovações para gestão de impactos econômicos, sociais e ambientais da distribuição e logística; geração de oportunidades de inclusão social a partir do empreendedorismo no setor; e sustentabilidade como vantagem competitiva nas redes de distribuição.

Paulo Branco, vice-coordenador do GVces, durante oficina de ISCV (foto: Milene Fukuda/GVces)

Paulo Branco, vice-coordenador do GVces, durante oficina de ISCV (foto: Milene Fukuda/GVces)

Além das atividades temáticas do ciclo 2015, o projeto ISCV deu prosseguimento ao trabalho do grupo especial sobre gestão de fornecedores, criado em 2013, com a tarefa de avançar no desenvolvimento de protocolos para apoiar as empresas na integração da sustentabilidade ao dia-a-dia da gestão de fornecedores. No ano passado, o grupo enfocou o desenvolvimento de referências para elaboração de uma matriz de risco da cadeia de valor que considere aspectos de sustentabilidade. Para tanto, a equipe do projeto ISCV contou com o apoio do programa Consumo e Produção Sustentável (atualmente absorvido pelo programa Desempenho, Transparência e Consumo) do GVces, que trouxe ao grupo a expertise de trabalho no tema de compras sustentáveis institucional.

“Para nós a participação no projeto foi bastante proveitosa e interessante, queremos continuar participando dos eventos pois é uma excelente forma de nos comunicarmos com os grandes e de nos alinharmos com suas necessidades. Tudo que estiver ao nosso alcance para aprender e entender as necessidades e aperfeiçoar nossa proposta de serviços será feito.”
Odilon Nogueira, da ReSolution Ecologística Reversa, uma das PMEs selecionadas na chamada de casos 2015 do Projeto ISCV

“Para nossa empresa foi muito importante ouvir alguns especialistas e a visão de conjunto de todos. O que posso dizer que levamos como ensinamento deste encontro é que precisamos fortalecer a ideia de negócio focada na visão de sustentabilidade. Temos muito o que aprender e precisamos de ajuda deste tipo para preparar uma chamada atrativa de sustentabilidade.”
Luis Carols Pivesso, da GoFrete, uma das PMEs selecionadas na chamada de casos 2015 do Projeto ISCV


Inovação e Sustentabilidade como Diferencial no Mercado Global

Quem vê o tamanho da economia brasileira e a representatividade do país na economia mundial enxerga um abismo incômodo. Ao mesmo tempo em que estamos entre as dez maiores economias do planeta, o Brasil ocupa apenas a 23ª posição no mundo em termos do valor de suas exportações.

logo_icvglobal (1)Preencher essa lacuna demanda vantagens competitivas para encarar a competição global. E muitas pequenas empresas estão encontrando na inovação e na sustentabilidade uma porta de entrada para seus produtos e serviços em mercados internacionais. É no apoio a este esforço que se insere o projeto Inovação e Sustentabilidade nas Cadeias Globais de Valor (ICV Global), uma parceria entre o GVces e a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).Os negócios de menor porte podem desempenhar um papel importante na integração ao comércio internacional. De acordo com dados do governo federal (2014) a despeito dessas empresas representarem mais de 40% das exportadoras nacionais, o valor associado ao volume exportado não chega a 1% do total vendido pelo Brasil para o mundo.

“Neste projeto, fomos expostos aos desafios, reinventamos a empresa, estamos saindo do casulo e queremos virar borboleta.”
Francisco Biazini, sócio diretor da REDERESÍDUOS

“Essa experiência com a Apex-Brasil e o GVces nos economizou três a quatro anos de aprendizado e experiência! O projeto ICV Global nos orientou e nos possibilitou formatar claramente nossa ação de internacionalização e agilizá-la.”
Samy Menasce, sócio proprietário da Brasil Ozônio

(foto: Milene Fukuda/GVces)

No projeto ICV Global, micro e pequenas empresas são capacitadas para explorar oportunidades de internacionalização a partir de atributos de inovação e sustentabilidade em seus produtos e serviços (foto: Milene Fukuda/GVces)

A proposta é fomentar a internacionalização de micros e pequenas empresas que se diferenciam por seus atributos de inovação e sustentabilidade, através do fortalecimento desses atributos e da construção de networking com possíveis clientes internacionais. Em 2015, o projeto finalizou os trabalhos de seu primeiro ciclo, com a realização da fase de engajamento das chamadas “empresas-âncora” do projeto. São organizações de grande porte que possuem uma ampla cadeia de valor passível de aprimoramento relacionado à incorporação de atributos de inovação e sustentabilidade. Ou seja, são empresas que se comprometem a atuar como indutoras de práticas sustentáveis junto às micros e pequenas empresas que fazem parte da sua cadeia de valor. Em 2015, a Braskem e a Beraca participaram desta fase de ICV Global.

A equipe do GVces e da Apex-Brasil apoiou essas âncoras na seleção e no engajamento de suas parceiras, além de oferecer oportunidades de formação em sustentabilidade para as micro e pequenas empresas selecionadas. As atividades nesta etapa buscaram fortalecer a atuação das empresas-âncora como indutoras de inovação e sustentabilidade, contribuir para a internacionalização dessas organizações com base na sustentabilidade de suas cadeias, induzir a incorporação da sustentabilidade nas estratégias de operação das micros e pequenas empresas selecionadas, e oferecer subsídios para a internacionalização das mesmas.

(foto: Yantra Imagens/GVces)

Resultados do primeiro ciclo de ICV Global foram apresentados em evento na FGV em maio de 2015 (foto: Yantra Imagens/GVces)

Outro destaque da conclusão do primeiro ciclo de ICV Global foi a realização, em junho de 2015, de uma missão comercial da Apex-Brasil, com a participação de algumas das micros e pequenas empresas selecionadas pelo projeto. O intuito dessa missão foi aprofundar o conhecimento sobre as características, práticas, exigências e oportunidades em um mercado que valoriza e demanda produtos, serviços e soluções possuidores de atributos de sustentabilidade. A missão as levou para o estado norte-americano da Califórnia, com o objetivo de facilitar o contato entre essas organizações e investidores, empreendedores e pesquisadores daquele país, além de potenciais compradores. Com a conclusão desta etapa, o primeiro ciclo de atividades do projeto ICV Global encerrou-se em maio de 2015, com a realização de um grande evento no Auditório Itaú, da FGV-EAESP, para discussão dos resultados finais do trabalho e para o lançamento da publicação com aprendizados e casos selecionados de micro e pequenas empresas com potencial de inovação.

“Dentre os aprendizados, do ponto de vista da empresa cliente da Apex-Brasil, este projeto deixou clara a importância do planejamento, do marketing, de como identificar e diferenciar nossos produtos, como chamar a atenção para nossos diferenciais de inovação e competitividade, como melhorar nosso produto para o mercado externo. Para a Apex-Brasil, com 17 anos de experiência e com uma missão difícil e desafiadora como a de apoiar a internacionalização das empresas brasileiras, este projeto nos ajudou a compreender melhor quais são as necessidades da empresa nesse processo.”
Adriana Rodrigues, coordenadora de competitividade da Apex-Brasil

Delegação do projeto ICV Global em seminário sobre "sustainable brands" em San Diego, nos Estados Unidos (foto: Paulo Branco/GVces)

Delegação do projeto ICV Global em seminário sobre “sustainable brands” em San Diego, nos Estados Unidos (foto: Paulo Branco/GVces)


Inovação e Sustentabilidade em Micro e Pequenas Empresas

O empreendedorismo voltado para a sustentabilidade é uma frente de atuação importante do GVces desde a nossa fundação. Isso porque acreditamos que, na busca por soluções inventivas, inovadoras e sustentáveis, os empreendedores de menor porte são atores fundamentais por causa do seu dinamismo, sua agilidade e sua flexibilidade. Mais do que nas companhias de grande porte, em que estruturas e práticas estão consolidadas, nas micros e pequenas empresas residem oportunidades de promover a inovação em seu nascedouro, de forma inerente ao próprio negócio.

Desde sua atuação no projeto New Ventures Brasil (2004-2011), o GVces se esforça no apoio a esses empreendedores a partir da construção de um verdadeiro “ecossistema” de sustentabilidade e inovação no Brasil– um ambiente propício ao empreendedorismo voltado para a superação dos desafios reais da economia, ao mesmo tempo em que promove geração de renda, inclusão social e preservação dos recursos naturais e do meio ambiente em geral.

logo-guiampeEste esforço do GVces ganhou mais força em 2015, com o 1º Guia de Inovação para Sustentabilidade em Micro e Pequenas Empresas (MPE), editado em parceria com a Revista Página22, voltado para destacar exemplos de empreendimentos inovadores e facilitar a interação entre esses atores e investidores e novos clientes.

O processo de seleção e desenvolvimento do Guia começou em março, com a realização de um evento de kick-off voltado para potenciais micros e pequenas empresas e para grandes empresas interessadas em soluções inovadoras voltadas para sustentabilidade.

Dois meses depois, o site da Página22 abriu questionário online para inscrição e submissão de casos de MPE, a partir dos critérios descritos no edital do Guia. Este questionário, fruto do trabalho conjunto de diversos pesquisadores do GVces e de especialistas externos, versa sobre temas como desempenho e transparência em sustentabilidade, inovação, desenvolvimento local e consumo sustentável.

O resultado desse esforço foi uma proposta de análise de micros e pequenas empresas baseada em três pilares: inovação para sustentabilidade; potencial de replicação e escalabilidade; e gestão.

Aron Belinky apresenta o Guia de Inovação para Sustentabilidade em MPE (foto: Yantra Imagens/GVces)

Aron Belinky apresenta o Guia de Inovação para Sustentabilidade em MPE (foto: Yantra Imagens/GVces)

Participaram do processo seletivo da primeira edição do Guia 56 empresas, que foram avaliadas detalhadamente pela equipe do GVces, resultando em 23 pré-selecionadas para visitas de campo, com o objetivo de aprofundar as informações relatadas na inscrição. Para a seleção final das empresas que fariam parte do Guia, o GVces e a P22 contaram com um Comitê Seletor composto por representantes do ecossistema de empreendedorismo, inovação e sustentabilidade no Brasil.

O Comitê selecionou 11 empresas, que foram convidadas a passar por um dia de formação na FGV-EAESP e a participar de duas rodadas de negócio simuladas para aprimorar suas apresentações. Em novembro de 2015, durante evento especial no Auditório Itaú da FGV-EAESP, o GVces e a Página22 apresentaram o Guia, publicado na edição nº 99 da P22. Durante o evento, cada uma das empresas pôde apresentar seu caso de solução inovadora e sustentável ao público.

“As micros e pequenas empresas, operando de forma articulada com companhias de maior porte, ajudam a oxigenar a cadeia de valor, semeando boas ideias, que podem então ser replicadas e ganhar escala. Ou fazer com que elas próprias se tornem futuramente empresas de grande porte.” 
Editorial da ed. 99 da Revista Página22, que trouxe o Guia de Inovação para Sustentabilidade em MPE (novembro/2015)

RedeResíduo, uma das MPE selecionadas pelo Guia de Inovação para Sustentabilidade em 2015 (foto: Bruno Bernardes/Página22)

RedeResíduo, uma das MPE selecionadas pelo Guia de Inovação para Sustentabilidade em 2015 (foto: Bruno Bernardes/Página22)


Para o Futuro: Empreendedorismo como pontapé para uma nova economia

O GVces acredita que o movimento da sustentabilidade pode nos ajudar a superar os problemas que afligem a economia moderna – mudança do clima, escassez de recursos naturais, exploração de mão-de-obra, desigualdade social, subemprego, etc. Tudo isso precisa ser entendido como sintomas de um sistema econômico que não dá mais conta da complexidade dos dias atuais, que precisa ser reformulado estruturalmente, com novos caminhos para gerar valor sem impactos agressivos ao meio ambiente e à sociedade. Por isso, nosso trabalho, nos mais diferentes projetos e iniciativas, tem como objetivo facilitar a construção dessa nova economia, verde e inclusiva, e o primeiro passo para esta meta está no empreendedorismo e no desenvolvimento de soluções inovadoras e sustentáveis.

Em 2016, as Iniciativas Empresariais do GVces– entre elas, o projeto ISCV – desenvolverão uma agenda integrada de atuação focada na gestão dos recursos hídricos, um tema estratégico para a sustentabilidade no Brasil (saiba mais). Ao longo do ciclo de trabalho previsto, ISCV se dedica à realização de duas frentes de trabalho que replicarão a metodologia desenvolvida pelo projeto nos ciclos anteriores – chamada de casos e diagnóstico. Por meio da chamada de casos, as IEs chegam a um mapa de iniciativas desenvolvidas por diferentes organizações que se conectem em diferentes temas relacionados à água, como inovações protagonizadas por pequenas e médias empresas na cadeia de valor de grandes empresas, iniciativas de gestão compartilhada e governança local de recursos hídricos, casos de ações relacionadas à adaptação climática e compreensão e gestão das conexões das operações das empresas com serviços ecossistêmicos. O diagnóstico, por sua vez, deve traçar um panorama da integração de sustentabilidade na estratégia, políticas e práticas de gestão de recursos hídricos das empresas membros das Iniciativas Empresariais.

Já no âmbito do grupo sobre gestão de fornecedores, o projeto ISCV prossegue com seus trabalhos em 2016, desenvolvendo protocolos para a integração da sustentabilidade na cadeia de fornecedores, por meio da elaboração de um protocolo sobre materialidade na cadeia.

O projeto ICV Global, que encerrou seu primeiro ciclo de atividades em 2015, realiza um novo ciclo em 2016, voltado para micros e pequenas empresas que desejam atuar no mercado internacional e que tenham atributos de inovação e sustentabilidade em seus produtos e serviços. A participação no projeto auxiliará essas empresas no aprimoramento de seus modelos de negócio, processos de gestão, além de desenvolver networking e oportunidades de relacionamentos comerciais junto a mercados estratégicos e compradores internacionais. Entendemos que este projeto é uma oportunidade estratégica para o empreendedor brasileiro, na medida em que a demanda por produtos e serviços alinhados a esses valores é crescente e o Brasil pode aproveitar essa demanda para despontar como um fornecedor reconhecido nesses atributos – o que fortalecerá a imagem comercial do país no exterior, importante nesse momento de crise doméstica.

Dar suporte a estes pequenos empreendedores é importante para que estes atores possam se engajar no desenvolvimento de processos, produtos e serviços inovadores e sustentáveis. Para o GVces, existe um grande valor em dar visibilidade às inovações que surgem nesse ambiente, que, muitas vezes, acabam sendo ignoradas pelo grande mercado e, consequentemente, não deslancham. As redes de potenciais clientes e parcerias que o GVces possui é um grande ativo a ser explorado no universo de micros e pequenas empresas. Por isso, o GVces e a Página22 continuam seu trabalho conjunto na publicação do 2º Guia de Inovação para Sustentabilidade em Micro e Pequenas Empresas. A seleção de casos é realizada no decorrer de 2016, com a apresentação final em meados de novembro.

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